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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Lirismo Social

Todos notam os lirismos poéticos...
Conscientemente ou não.
Talvez na mente, no coração,
Sejam loucos ou céticos.

Mas existem lirismos ocultos,
Lirismos que quase ninguém nota.
Talvez o lirismo simples. Anota,
Ou responde, sobre estes vultos:

Quem nota o lirismo da criança
Na avenida, na calçada, na rua,
Debaixo do Sol ou da Lua,
Vendendo ou vendendo-se com esperança?

Quem nota o lirismo desta esperança,
De brincar e de viver com calma,
De ter limpa e livre a alma
Doce e bela de uma criança?

Quem nota o lirismo de alguém
Que deveria ter um futuro,
Um do tipo mais seguro,
Mas não tem nada nem ninguém?

Quem nota o lirismo da flor
Que murchou em vão,
Sem nenhum perdão,
Perdida no concreto sem calor?

Quem nota o lirismo da fome
Senão quem a sente,
Quem, para matá-la, segue em frente
E não se consome?

Quem nota o lirismo da tragédia?
A televisão não transmite a dor.
A televisão não sente amor
E todos se importam mais com a comédia.

Quem nota, além dos pobres,
O lirismo da pobreza?
Tenha toda a certeza:
Não é nem a realeza, e nem são os nobres.

Quem nota este lirismo triste,
Esta poesia abalada e corajosa,
É quem tem a alma chorosa
E mesmo na escuridão, ainda resiste.

Elvio Fernandes - 2008

sábado, 24 de outubro de 2009

Meu sonho pra todos nós, irmãos!

Era isso que eu queria pra nós, aqueles momentos de nostalgia que nos fazem sofrer, enquanto escapamos dessa realidade monótona em que vivemos, para depois de toda reflexão penosa sobre nossos seres, unidos, acreditarmos numa realidade melhor!

Era isso, e sempre foi! Esse escapismo maldito de sofrimento que nós buscamos nos nossos tempos de loucura, procurando aqueles tempos em que a inocência fazia tudo valer a pena e a maturidade ainda era totalmente nada pra nós, para depois, unidos, gritarmos: “SIM, EU VIVI MUITA COISA PRA DESISTIR AGORA, PORRA!”.

Era isso, e sempre será! Aqueles momentos de união memorial que nos faz escapar da vida pública, do cotidiano maldito que nos esfrega humilhantemente na cara da humanidade, fazendo-nos viver a realidade de merda planejada pra todos nós...

É isso que eu quero até o eterno! A quebra dessa realidade, o abandono, o foda-se de um simples momento de vida nos nossos sonhos, nas realidades que nós sempre quisemos uma para o outro, naquela realidade em que nós poderíamos viver o “sempre que quiséssemos” até o infinito de todas as eras!

É isso que eu desejo! A quebra desse ceticismo monstruoso que nos afasta da espontaneidade de toda nossa alma, esse ceticismo monstruoso que desacelera nossos batimentos cardíacos, que não nos deixa viver a poesia que sempre desejamos recitar aos milhões de ventos para que chegassem ao ouvido de todas as pessoas!

É o que eu quero, junto de vocês, edificar! O sonho realizado, todos os mitos das aventuras de nossas vidas homenageado por nós mesmos, exclamemos com orgulho nossos feitos simples, complexos, espontâneos! Aqueles sem pensar nem uma vez antes de fazer, aquele simples momento que fez tudo valer o que nunca valia nada!

É isso que eu sempre sonhei! Nossa união fazendo força, quebrando todos esses dogmas que nos foram impostos e gritar: VAI PRA CASA DO CARALHO, PORRA! Pra todas essas mentiras que nos fazem viver fora das vidas que sempre quisemos viver em união!

Poemas de Marcelo Macêdo Alves

Nasceu em 1988, em Brasília. Viveu lá até os 4 anos, quando se mudou com a família para Fortaleza e lá ficou por 3 anos. Retornou para Brasília onde concluiu os estudos na rede pública de ensino, formando-se aos 16 anos.
Aos 19, entra na Universidade de Brasília onde cursa Desenho Industrial.
Começou na poesia com a vontade de escrever músicas (aliás, é um puta dum batera). Durante o processo de criação, buscou desenvolver o vocabulário ao mesmo tempo em que procurava expressar o que tinha preso na garganta.

Influências: Mário Quintana e Augusto dos Anjos.

"Embora esses dois poetas não tenham nada a ver um com o outro, quando escrevo, deixo as influências fluírem naturalmente." - Explica.

"Poesia pra mim começa no sentimento. Normalmente, isso se traduz na primeira e na última frase" - Conclui o poeta

"Retrocesso"

Estou cansado
Do discurso partidário
Mas o mundo me chama
Para compor seu cenário

Eu faço história
Com meus versos e atos
Mesmo que ainda me falte
O complemento do hiato

Observo a escória
E a distorção atômica me invade
Lhe falta glória
Na crítica da humanidade

E vou seguindo
Com pressa sem pensar
No escuro caindo
Das loucuras de socializar

Meus sentidos eu treino
Meus olhos perfuro
Nos meus ouvidos eu reino
No mais, apenas o que me resta
Um sentimento obscuro


"Poesia Concreta"

Liberdade,
Ideologia fundada no primórdio,
Beirando à loucura,
Estrada sem fim.
Resquício do desejo fundamental da vida,
Dado inexato, inalcançálvel.
Alcova dos homens,
Direito da morte.
Essência.

sábado, 15 de agosto de 2009

CRISE

Correr!
Correria cruel,
Crise criativa,
Crueldade criada,
Criação cravada,
Carne crua cansada.

Coração carência!
Criança crê.
Criminalidade corre,
Criando cabulosa curiosidade.

Castiçal castiço?
Cascata com cascavel!
Carrasco capeta,
Cramunhão cardeal,
Corrosão corporal.

Capitalismo capadócio, canibal!
Camomila corrosiva, cancerosa,
Carnificina clandestina,
Clamor clínico.

Carabina clemente,
Coração camuflado.
Canto cavernoso crava.
Cabeça carregada,
Cai...

Cai!

domingo, 28 de junho de 2009

Ser Socialista

Ser Socialista significa sentir...

Ser Socialista significa sofrer sem ser sofredor,
Socializar sem sequer ser seu,
Solidarizar-se sem se sentir superior,
Sustentar-se sendo suscetivel.

Ser Socialista significa sobretudo sonhar!

Sonhar sumindo senhores, servos
Superiores, subalternos.
Só sobrando solidariedade...
Sobrepujando sua sonhada sociedade:

Sociedade Socialista!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Leia e reflita...

"Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer mais nada" Maiakovski



"Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

[Bertold Brecht (1898-1956)]