domingo, 10 de março de 2013

E 4 anos se passaram (2ª parte)

Continuando nossas recordações sobre a história do movimento dos alunos do Vieira de 2009, nesta postagem publicaremos alguns materiais que até então permaneceram inéditos. Entre eles, documentos do movimento, uma matéria de jornal e um poema de um aluno.

Primeiro esboço das reivindicações dos alunos,
que depois seriam entregues à direção


Poema escrito pelo aluno Elvio Fernandes
no dia 10 de março



Matéria publicada no jornal "Agora" no dia 14 de novembro,
noticiando a manifestação ocorrida um dia antes.
Notem o sensacionalismo da matéria, sobretudo do título. 

E 4 anos se passaram


Em comemoração aos 4 anos da luta que os alunos do Vieira travaram durante o ano de 2009, e que teve seu marco no dia 10 de março, com uma manifestação espontânea dos alunos, publicaremos nesta postagem um texto que saiu em um jornal estudantil chamado "O Mal Educado", que também mantém um blog: www.gremiolivre.wordpress.com, no qual a nossa história é contada brevemente.

Boa leitura!

Estudantes derrubam direção autoritária

É assim em praticamente todas as escolas: diretores mandam em professores e alunos; professores mandam em alunos, e estes, por sua vez, não tem nenhuma voz. Mas em 2009 uma escola do Extremo Sul de São Paulo inverteu isso. A comunidade escolar se uniu e derrubou a diretora, que governava como se fosse a dona da escola.
O José Vieira de Moraes é uma escola estadual localizada no bairro do Rio Bonito, região de Interlagos. É considerado um dos melhores colégios da região e alguns alunos chegam a viajar mais de 10km para estudar lá. Mas o que podia parecer um sonho se tornou um pesadelo quando, em 2009, uma nova diretora assumiu o comando. Ela se propunha a implantar uma rigidez sem limites na escola: queria que alunos e professores se tornassem marionetes. Não tardou muito, porém, para que se instalasse um clima de revolta generalizada.
Mal completava um mês de aula e, no dia 10 de março, logo pela manhã, os alunos trancam os portões do pátio e realizam um protesto contra a direção da escola. A polícia é chamada para conter a revolta e, mesmo assim, ela segue por todo o dia, continuada pelas turmas da tarde e da noite. Durante toda a semana, são feitas manifestações relâmpago – a qualquer momento os alunos descem para o pátio e protestam. A diretora se reúne com alguns representantes dos estudantes e se compromete a cumprir uma série de reivindicações feitas por eles. Passados dois meses sem que nada fosse cumprido, ocorre mais uma manifestação, e a diretora ameaça cinco alunos de expulsão.
Depois disso, o movimento entra em refluxo e praticamente desaparece. No Conselho de Escola, os estudantes, em minoria, travam um lento combate, que, ainda assim, rende importantes vitórias: o direito à entrada na segunda aula para os alunos do noturno; a abolição do uso obrigatório do uniforme e da carteirinha; e a escolha do vice-diretor e da coordenadora.
No segundo semestre uma aliança firmada entre os alunos, funcionários, professores e o sindicato dos professores se compromete a retomar a mobilização. Em meados de novembro, todos paralisam os trabalhos e convocam a comunidade e os pais a protestarem em frente à escola. No mesmo mês, os alunos boicotam o SARESP e participam de um ato junto a outros colégios contra a prova. Em dezembro, conseguem uma reunião com o Secretário da Educação, Paulo Renato, e exigem a saída da diretora. Mas o ano acaba sem nenhuma resposta.
No entanto, logo no início de 2010, o governo do Estado anuncia a remoção da diretora e a nomeação de uma nova gestão. Os alunos comemoram a vitória com um gosto amargo na boca: embora a derrubada da direção expressasse a força que os estudantes haviam conquistado, a nova administração não seria escolhida pela comunidade escolar, como eles queriam, mas pelo governo.
Após a conquista, o movimento se desmantelou. Grande parte dos estudantes envolvidos na luta concluiu o ensino médio e deixou a escola. Os poucos que restaram, estavam dispersos. Embora tivessem o projeto de construir um grêmio que fosse capaz de dar continuidade a essa batalha e manter os alunos organizados, não conseguiram fazer nada nesse sentido. Tudo voltara a ser como antes, e a nova diretoria logo se mostrou tão autoritária quanto à anterior. Os estudantes não tinham mais força para se levantar contra ela e foram se conformando. Mas, no fundo, muitos continuam revoltados com a escola e guardam a mesma raiva que os alunos tinham em 2009. E enquanto for assim, eles tem tudo para se organizar de novo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

PM na USP. PM no Vieira.

No dia 10 de março de 2009 nós, alunos do Vieira, nos manifestamos contra as medidas autoritárias da direção da escola. A resposta da direção foi a entrada da PM na escola. Na saída, havia cerca de 6 viaturas a nossa espera. Sofremos retaliações de policiais que intimidavam os alunos mandando que todos saíssem da frente da escola, ameaçando mesmo agredir vários de nossos companheiros. O recado era certo - nenhuma forma de contestação à autoridade da direção ou do Estado seria tolerada.

Noite de 27 de outubro de 2011. A PM faz abordagens a alunos da FFLCH na USP. Alunos são "enquadrados" em frente à biblioteca e na Faculdade de História e Geografia. Por volta das 18h30, três estudantes são detidos pela polícia com 20 gramas de maconha e encaminhados à Delegacia da região. Os colegas e estudantes da faculdade entram em confronto com a PM e ocupam o prédio da Administração da Faculdade.

O que as duas ocorrências têm de semelhante entre si?
À primeira vista nada, mas observando mais atentamente é possível compreender o que está por trás de ambos os casos. Vejamos.
A presença da polícia no entorno das escolas ( a famosa Ronda Escolar) é coisa rotineira, e até, em certos casos, há uma demanda da comunidade escolar por mais policiamento. Até aqui tudo bem. Mas as coisas mudam quando se está dentro da escola. Lá, a entrada da polícia só é permitida em caso de solicitação da direção ou de alguma pessoa que tenha presenciado uma ocorrência grave ou algo que ponha em perigo as pessoas ali presentes (por ex. um aluno armado). Nesses casos a polícia entra na escola e averigua o que houve no local. Em casos menos graves (uma briga, um caso de indisciplina ou um aluno flagrado com drogas) o problema é resolvido pela própria direção, que pode tomar as medidas cabíveis. Esse é o procedimento "padrão" (e isso não só em escolas, mas também em empresas, hospitais e até mesmo em nossas casas).
Mas o que ocorreu tanto no Vieira em 2009 como agora na USP? A PM ultrapassa sua função de garantir a segurança nos entornos e invade o ambiente escolar. E com que pretexto ela o faz? Será que o objetivo é manter a segurança dos alunos, como se tem alegado nos meios de comunicação? Quanto a essa última hipótese creio ser fácil mostrar que definitivamente a segurança dos alunos não é o objetivo da entrada da PM na espaço escolar, visto que pelo procedimento "padrão" que descrevi acima as necessidades de segurança já são supridas no essencial. O que faz então a PM dentro das escolas? Nesse ponto creio que só há uma resposta visível - reprimir as manifestações estudantis.
Historicamente a polícia tem servido como ferramenta de contenção social e de repressão às manifestações populares. Basta ver todas as vezes que a polícia entra em uma escola sem que algum crime grave tenha ocorrido - sempre são manifestações estudantis. Basta ver o que a PM fez no pouco tempo de Convênio com a USP: invasão do Centro Acadêmico da ECA; abordagens a estudantes nas dependências das Faculdades, etc.
O que diferencia o que ocorreu no Vieira e o que ocorre na USP é que em um foi uma repressão imediata; já na USP se trata de uma "prevenção"contra futuras mobilizações. A USP sempre foi um dos bastiões do movimento estudantil, desde a luta contra a ditadura militar até à luta pela democratização da Universidade. Um espaço tão vivo como este não poderia ser deixado livre. Era preciso ocupá-lo e militarizá-lo, e foi o que aconteceu. Nos resta agora saber se a resposta que os estudantes estão dando é suficiente para retomar o espaço perdido.

José Vieira de Moraes e USP, tão distantes e tão semelhantes. E lá, assim como aqui, os ex-alunos do Vieira daquela gloriosa turma de 2009 continuam dando exemplo de combatividade e luta libertária contra toda forma de opressão e autoritarismo.

Pelo fim da perseguição a todos os estudantes que se levantam por uma educação de qualidade!
Queremos Educação, não PM nas escolas!
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*Relato sobre a atuação da PM no dia 10 de março de 2009: http://revolucaoeducacional.blogspot.com/2009/03/hoje-vi-os-dois-extremos-do-poder.html
**Reunião com o Sargento da PM no Vieira.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Enfim, um vídeo!

Bem pessoal, com o material que conseguimos, fizemos, juntamente com a galera da Rede de Comunidades do Extremo Sul, um pequeno vídeo documentário relatando a nossa luta travada em 2009. Isso é só um aperitivo para o nosso documentário, que ainda estamos preparando. Espero que comentem o que acharam!


Agradecemos aqui a Rede de Comunidades do Extremo Sul, a Subsede Santo Amaro da Apeoesp (Sindicato dos Professores) e aos professores, alunos e ex-alunos que nos ajudaram, mandando vídeos e materiais que relatassem a nossa luta.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Contra o autoritarismo nas escolas - Um poema.


Coração

O olhar
do jovem
revela:
Libertar!
outros morrem
na cela

escura,
repressiva
e fria
da ditadura
obsessiva,
claustrofobia

da mente
sem expressão
ou voz.
Demente,
o coração
conhece o algoz.

Sofrimento
livre, dor
constante!
Aumento
do rancor
errante!

Sem cor,
mundo banal
escuta
a palavra sem pudor,
nunca ilegal,
de uma luta.

O sufrágio
é uma busca
por liberdade.
O frágil
ofusca
a verdade!

A palavra
do jovem,
não singela,
lavra
sobre o homem
que apela.

A lágrima
que cai,
evapora.
A rima
nunca vai
embora!

O coração
nunca desiste
da peleja.
A distração
enfrenta, insiste
no que almeja!

O pensamento
foge, corre
como louco
e o sentimento
que o socorre
não é pouco!

O jovem lança
o ideal
motivador.
Alcança
o real
coração desbravador.

Movimenta
a mente,
se dispara,
tudo enfrenta.
o que sente
nunca pára.

Vive. Esperança
viva, conseguirá
tudo concretizar.
Se ainda não alcança,
um dia irá
o sonho alcançar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Campanha contra o Autoritarismo nas Escolas

Depois de muito tempo volto a escrever neste blog. O motivo da volta é o lançamento de uma campanha de extrema importância para os estudantes em geral.

A Rede de Comunidades do Extremo Sul - SP acaba de lançar a "Campanha contra a Opressão e o Autoritarismo nas Escolas", empreitada que tem como objetivo emcampar lutas e organizar estudantes do extremo sul de São Paulo contra o modelo autoritário que reina em nossas escolas.
O blog da campanha já foi lançado e traz o primeiro informe:

" Este blog dedica-se a divulgar e registrar as lutas nas escolas contra o cotidiano opressor vivido por educadores, funcionários e alunos, A Campanha contra a Opressão e o Autoritarismo nas escolas foi uma forma que encontramos para escancarar e travar uma luta contra todo este cenário de violências e precarização do ensino.
É de fundamental importância que professores, alunos, funcionários e pais, se somem ao esforço para combater as agressões sofridas por todos nós. Deixamos esse espaço aberto para troca de idéias e experiências, com vistas a fortalecer nossa luta. E no final de novembro, em data e local ainda a serem definidos, realizaremos um encontro ampliado para nos organizarmos e definirmos juntos os passos a seguir.
Por hora fica o convite para os momentos de organização coletiva, materiais podem ser enviados para divulgação.

Manifestamos aqui nosso total apoio a esta campanha, e nossa disposição em colaborar com essa iniciativa!
Vamos à Luta!

Depois do Vieira, escola em Parelheiros derruba sua diretora

Menos de um ano após a nossa histórica mobilização na E.E. Prof. José Vieira de Moraes, uma escola no distrito de Parelheiros, segue nosso exemplo e derruba a diretora, que agia com truculência contra professores e estudantes, que por sua vez também não cruzaram os braços e partiram pra luta!

São exemplos como esse e o nosso que nos fazem crer que uma Escola Cidadã e libertária são possíveis!
Segue o Vídeo:


Derrubando uma diretora autoritária from rede extremo sul on Vimeo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

ENFIM! DEZ DE MARÇO!

Já faz um ano!
O Dia do início da Revolução na E.E Professor José Vieira de Moraes. Quando os alunos se uniram para lutar contra uma diretoria tirana e manipuladora!

E o que aconteceu?

Uma vitória significativa contra esse sistema maldito que tenta nos controlar!

Mas conseguimos!
Uma vitória que sempre será lembrada!
Uma sensação de dever cumprido!
E a vontade de revolucionar cada vez mais!

Uma batalha foi vencida!
Mas a guerra está só no começo!

Uma batalha, uma vitória!
VIVA O DEZ DE MARÇO!
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Ao Dez de Março

Eu estava lá!
Ouvi todos gritarem - FORA! FORA! FORA!
Eu vi as mãos no alto.
Eu vi quem não queria mais estar preso.
E junto deles eu busquei liberdade!

Eu vi lágrimas
E eu vi risos.
Junto deles eu sangrei.
Meus irmãos e meus heróis.
Quebramos as correntes,
Irmãos de luta!
Erguemos a bandeira da União
E cantamos juntos
Os cantos da libertação!

Irmãos de luta,
Nosso canto ecoou
E encontramos força uns nos outros.
O nosso olhar em chamas
Pôs em brasa uma falsa autoridade!
Vitória, irmãos!
Glória e liberdade!
Ontem, ilusão.
Mas hoje, realidade!

(Elvio Fernandes - 10/03/2010)

VIVA O DEZ DE MARÇO!
VIVA O TREZE DE NOVEMBRO , QUE LOGO MAIS, COMEMORAREMOS!
DIAS MEMORÁVEIS.

PELA QUEBRA DO PARADIGMA DO AUTORITARISMO!
NINGUÉM DEIXOU DE FALAR.
AMIGOS, PAIS, PROFESSORES, HERÓIS, IRMÃOS!

Sim! Eu misturei tudo mesmo! Texto sobre o Dez de Março e fotos do Treze de Novembro!
A luta foi sempre a mesma e se não fosse pelo grande dia Dez, essas imagens talvez não existiriam! Foi a Revolução em Cadeia!

Obrigado amigos!
Laís, se não fosse sua força de vontade... (E além do mais, poetiza e fotógrafa du carai!)
Emerson, grande revolucionário! Se não fossem suas idéias...
Gabriel Lucas, se não fosse sua loucura...
Ruy, se não fosse seu apoio e ajuda...
Roberta, se não fosse sua força e luta pelo movimento...
Mário, se não fosse sua doidera e suas intervenções brutais...
Bianca, se não fosse sua bondade com os outros...
Elias, que tava lá toda hora, da manhã à noite, na labuta!
Thiago Mendes, se não fossem seus poemas, grande cantor de rap...
Emily, Thiago Rodrigo, Evertinho,Alberto, todos os que se importaram! Porra é tanta gente...
Se não fossem vocês...
O DEZ DE MARÇO NÃO EXISTIRIA!
VIVA!
VIVA!
VIVA!

(Aqui é o Emerson, só gostaria de acrescentar alguns nomes que também foram importantíssimos para a nossa luta.
Camila, 2° ano, não lembro a sala, se ela não tivesse tido a coragem de fechar o portão naquele dia 10 nada teria acontecido!
Vanessa, 3°J, grande guerreira, esteve na linha de frente nos ajudando nos períodos mais difíceis!
Aiesa, 3°H, sempre dando idéias e nos auxiliando nas grandes lutas!
Felipe, 3°J, desde o início na luta e no dia 13 de novembro segurou a barra no protesto da tarde enquanto eu estava sem voz, valeu!
A Dayanne , 3°J, mas também esteve na luta desde o início e foi muito importante naquele início tão difícil para todos nós!
E mais umas dezenas de pessoas, que não daria pra eu citar aqui, mas fica o meu abraço e meus agradecimentos, porque quem faz a história não são os grandes homens, senão os povos, as pessoas simples do povo, aqueles que anonimamente deram sua contribuição na construção de um mundo melhor!)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

2010: Fim da luta?

continuação...


E o ano começou sem notícias, um silêncio total..
Porém, logo ao dia 6 de janeiro, sai no Diário Oficial o resultado do concurso de remoção de diretores.


Diário Oficial, 06/01/2010, Executivo I, pág. 56

E no dia 23/01 foi confirmada a remoção.





Diário Oficial, 23/01/2010, Executivo II, pág. 38.

Enfim, depois de muita luta e cansaço, conseguimos derrubar Elaine Feitosa!
Esse fato certamente é um marco na história do José Vieira de Moraes, pois pela primeira vez na história, os alunos dessa escola derrubaram um diretor. Poucas escolas têm algo do tipo em seu currículo, isso é motivo de orgulho para quem estuda no Vieira, pois mostramos que, com organização e coragem é sim possível mudar a sua escola!

Agora nos cabe pensar: Acabou a luta? Chegamos ao fim?
Bem, a resposta desta pergunta pode variar, pois se você considera que tirar a diretora basta, a resposta é sim.
Mas se considerarmos que tirar uma diretora é pouco, porque muitas outras Feitosas podem vir e, novamente, desmantelar a nossa escola, a resposta é, obviamente NÃO!
Para evitar que outras como ela venham precisamos nos manter permanentemente organizados, e ir ampliando nossas forças dentro dos espaços de decisão da escola. Para tanto é preciso que compreendamos que enquanto os diretores de escola forem selecionados por uma mera prova de conhecimentos gerais, sem levar em conta a sua capacidade de liderança ou suas habilidades como gestora e também, enquanto o poder de decisão dos alunos for suprimido perante o poder da direção, nós nunca conseguiremos extirpar o perigo de mais uma direção autoritária.
Nós, estudantes precisamos garantir que na nossa escola tenha liberdade e democracia em todos os âmbitos da vida escolar, desde a sala de aula até as decisões importantes da escola.
Por isso exigimos desde já:
  • Grêmio Livre Já!
  • Integração Escola-Comunidade, para que toda a comunidade possa usufruir desse ambiente que também é deles!
  • Eleição para Diretor, com voto paritário de alunos, pais, comunidade, professores e funcionários!
  • Constituição imediata de uma Assembléia de alunos e professores para elaboração e votação do Regimento Escolar!
  • Fora todos os lacaios da direção anterior!
  • Tolerância de horário!
  • Biblioteca, quadra, teatro e Acessa Sp livres para o acesso e o uso por parte dos alunos!
Portanto, a luta só começou companheiros!
Pra quem assistiu o filme Che, o argentino (2009) eu quero lembrar uma passagem, já no final do filme, quando eles já haviam vencido a revolução em Cuba, e um guerrilheiro pergunta para Che se podia voltar para casa e o comandante responde que não. Nisto o guerrilheiro questiona "por que, se nós já vencemos a revolução?", e Che responde:
- Vencemos a guerra. A revolução começa agora!

É isto que temos que pensar agora. Se quisermos realmente revolucionar as bases do Vieira e transformá-la numa escola livre e democrática nossa luta apenas começou.
Então, está esperando o que?
Vamos à Luta!!
Viva o Movimento Estudantil Revolucionário!
Viva o 10 de Março!!

Obs: Clique nas imagens para ampliá-las.

E aí, como terminou 2009??

Bem, depois de muito tempo sem postar larguei a preguiça de lado e resolvi atualizá-los sobre o que ocorreu nos nossos últimos momentos de 2009.
Vou pontuar resumidamente tudo o que houve.

- No dia 26/11 cerca de 15 alunos foram à assembléia dos professores realizada na Praça da República. O protesto terminou com a Prof. Piroska e eu falando no carro de som para cerca de 5000 professores de todas as regiões do estado. Lá conversamos com o Dep. Estadual Carlos Gianazzi (PSOL) que nos deu apoio e se comprometeu a conversar diretamente com o Secretário de Educação, visto que no dia da assembléia o secretário fugiu!

- No dia 30/11 uma comissão de professores e um aluno (Mário Sérgio, ex-3°G) tiveram uma reunião com o secretário de educação, Paulo Renato, na qual o secretário nos ouviu e disse que ia averiguar o caso e tomar as devidas providências, para isso deixou marcada uma reunião da comissão, junto com o nosso dirigente de ensino, Samuel, na Cogesp.

- Três dias depois, no dia 3/12, tivemos a reunião na Cogesp, onde o orgão abriu sindicância para investigar os atos ilegais da nossa então diretora, Elaine Feitosa. No mesmo dia, no extremo sul da cidade, eu e a Roberta (ex-3°D) concedíamos uma entrevista ao informativo cultural do Grajaú, o Balaio Cultural, que acompanhou a nossa luta desde o nosso primeiro protesto de rua no dia 13 de novembro. A entrevista se encontra na edição de janeiro do Balaio.

- No dia 14/12 uma comissão da Cogesp visitou nossa escola para conversar com professores, funcionários e o único aluno presente: mais uma vez o Mário!

Depois disso não tivemos mais nenhuma informação, e assim terminou um ano de muitas lutas, discussões, debates, protestos... Enfim, um ano inesquecível e único para todos nós!
Mas terminava sem respostas quanto ao futuro da nossa escola.
Essas respostas só chegariam no ano seguinte, 2010...

continua...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Lirismo Social

Todos notam os lirismos poéticos...
Conscientemente ou não.
Talvez na mente, no coração,
Sejam loucos ou céticos.

Mas existem lirismos ocultos,
Lirismos que quase ninguém nota.
Talvez o lirismo simples. Anota,
Ou responde, sobre estes vultos:

Quem nota o lirismo da criança
Na avenida, na calçada, na rua,
Debaixo do Sol ou da Lua,
Vendendo ou vendendo-se com esperança?

Quem nota o lirismo desta esperança,
De brincar e de viver com calma,
De ter limpa e livre a alma
Doce e bela de uma criança?

Quem nota o lirismo de alguém
Que deveria ter um futuro,
Um do tipo mais seguro,
Mas não tem nada nem ninguém?

Quem nota o lirismo da flor
Que murchou em vão,
Sem nenhum perdão,
Perdida no concreto sem calor?

Quem nota o lirismo da fome
Senão quem a sente,
Quem, para matá-la, segue em frente
E não se consome?

Quem nota o lirismo da tragédia?
A televisão não transmite a dor.
A televisão não sente amor
E todos se importam mais com a comédia.

Quem nota, além dos pobres,
O lirismo da pobreza?
Tenha toda a certeza:
Não é nem a realeza, e nem são os nobres.

Quem nota este lirismo triste,
Esta poesia abalada e corajosa,
É quem tem a alma chorosa
E mesmo na escuridão, ainda resiste.

Elvio Fernandes - 2008

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

É tarde demais para desistir!

(continuação) ...Assim fomos para a sala 15 para iniciar a reunião...

Reunião
Na sala 15 organizamos as cadeiras em cículo e sentamos, esperando pela diretora para começarmos a reunião. Com a sua chegada, deu-se início à reunião. Quem começou falando, explicando os motivos dos protestos foram os alunos, que passaram todo o histórico de mobilizações já realizadas, as tentativas de diálogos, as promessas não cumpridas etc. Seguiu-se ao relato dos alunos o relato dos pais, que fizeram denúncias aos deputados da Comissão de Direitos Humanos e ao dirigente Samuel, de casos de agressões a alunos na porta da escola, casos de ameaças, constrangimentos, o já conhecido caso da aluna que fez suas necessidades em sala de aula porque a diretora não permitiu sua ida ao banheiro, entre outros absurdos cometidos sob esta gestão. Logo após, foram ouvidos os representantes do sindicato, que engrossaram as denúncias com um caso de desrespeito à liberdade sindical, quando a Sra. Diretora os expulsou da escola por estarem "criando problemas para ela". Quem continuou as denúncias foram os professores, com o relato da polêmica atribuição de aulas feita no início do ano, que foi feita de forma arbitrária e autoritária por parte da diretora. Contou-se ainda o caso das faltas injustificadas distribuidas para os professores sem motivo algum.
Depois que todos falaram, foi a vez da diretora expor sua defesa.
Ela argumentou que o caso da professora que conseguiu na Justiça a anulação de todas as faltas injustificadas já havia sido resolvido, e que desde a decisão Judicial ela não levou mais nenhuma falta e todas as faltas anteriores foram anuladas depois de alguns dias da sentença, ao que os professores contestaram, dizendo que ela continuava a receber faltas e que queriam ver os documentos que provassem o contrário.
Logo após ela prosseguiu, afirmando que quanto a ela ter proibido a entrada do sindicato na escola se devia ao fato de eles terem atrapalhado o horário de aulas, e não terem pedido permissão para entrar. O sindicato reagiu, afirmando que eles não haviam atrapalhado o horário de aulas, já que haviam entrado no horário do intervalo, e que haviam comunicado sim à direção que estavam entrando, ao que esta reagiu gritando para que se retirassem e ficassem quietos.
Ela também tocou na questão do Conselho, que ela é acusada de desrespeitar e passar por cima das decisões tomadas ali. Segundo ela, o Conselho só é soberano até o ponto em que respeita a lei, mas que quando ela, a juíza suprema da lei, vê que há alguma ilegalidade, ela intervêm e passa por cima das decisões, para "inibir que o Conselho cometa atos ilegais". Mas quando ela foi questionada se ela também podia realizar reuniões sem o quórum necessário (quantidade de pessoas mínimo para a realização de uma reunião de Conselho) e depois coagir os membros a assinarem a Ata, ela não se pronunciou, dizendo apenas que "ninguém era obrigado a assinar a Ata, assinou porque quis".
Outra pergunta que ficou sem resposta foi o porquê de ela ter engavetado o projeto de Grêmio. A única resposta obtida foi a de que "não havia chegado à mesa dela". Mas o projeto foi entregue para a Direção, e temos provas e testemunhas disso, agora, se não chegou à mesa dela, isso só mostra a incompetência da atual gestora em dirigir uma escola do porte do José Vieira.
O deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP) sugeriu à diretora e ao dirigente que ela se afastasse, "pelo bem da escola e dela mesmo, pois assim ela poderia adquirir mais experiência, e tempo, para assumir a direção de uma escola com a grandeza que o Vieira tem e para resolver o conflito que se instalou nesta escola". O deputado ainda parabenizou os alunos pela mobilização e se disse sentir há "40 anos atrás", quando, segundo ele, "havia o movimento estudantil de verdade", do qual ele participou.
Em seguida foi a vez da Assesoria do dep. estadual Raul Marcelo (PSOL/SP) intimar a diretora: "A Sra. não o direito de proibir a organização do Grêmio nessa escola. Porque se o movimento estudantil quiser ele pode meter o pé em qualquer porta dessas aqui e declarar que aqui há um Grêmio, e a Sra. não pode fazer nada, a não ser acatar a decisão dos alunos e respeitá-los", e convocou os alunos a organizar o Grêmio ainda este ano.
O dep. José Cândido (PT/SP) foi o último a dar o seu parecer e disse apoiar o afastamento da diretora como "forma de administrar o conflito".
O último a falar foi o Dirigente de Ensino da região Sul-3, o Sr. Samuel Alves dos Santos. Segundo o dirigente, o afastamento da diretora não compete a ele, mas somente ao Secretário da Educação. Mas segundo ele, a Delegacia de Ensino se encaminhará de levar todas as nossas denúncias à Cogesp, e que esta, junto à Secretaria da Educação decidiria pelo afastamento ou não da diretora. O que o dirigente fez, na realidade, foi lavar as mãos quanto à diretora, ao que pareceu, ele se cansou de tanto protegê-la, tanto que chegou a dizer que "já conversou com ela mas ela não ouve".
Bem, nossa reunião foi um sucesso, saímos vitoriosos dela. Mas não podemos baixar a guarda agora, pois apesar dessa vitória, ainda não conseguimos o que queremos de fato: O AFASTAMENTO IMEDIATO DA DIRETORA ELAINE FEITOSA DO CARGO!
Portanto, nesta quinta-feira, dia 26 de novembro, nós vamos até a SE pedir uma reunião com o Secretário da Educação, o Sr. Paulo Renato, para pedirmos que ele tome a decisão de afastá-la do cargo o mais rápido possível. Por isso pessoal, precisamos que todos compareçam neste ato para que o Paulo Renato nos ouça. Lá nós vamos contar com o apoio dos professores de todo o Estado que estarão presentes na Assembléia da APEOESP, do movimento estudantil e de outras escolas que vão estar lá!
Vamos à luta galera!
Se já chegamos até aqui é porque fizemos por merecer!
O nosso movimento mostra cada dia mais força para, quando chegar a hora, concretizar o grito que está entalado na garganta desde o início do ano: FORA FEITOSA!!
Até a vitória companheiros!!!

...O mundo dá voltas...

24/11
Estava marcado para realizarmos uma passeata até a DE da Sul-3. O combinado era todos ficarem do lado de fora e iniciarmos a passeata às 8h. Quando chegamos à escola, às 7h, todos haviam entrado e somente alguns pouquíssimos alunos estavam lá fora para realizar a passeata. O clima geral foi de decepção e de derrota.
Por volta das 8h o pessoal do sindicato chega e resolve que devemos realizar uma reunião para decidirmos o que fazer com aquele número reduzido de pessoas. Durante a reunião chegam os deputados que haviam sido convidados por nós para participar do nosso ato. Aproveitando a ocasião da chegada dos deputados, tentamos realizar uma reunião junto com a diretora, para que os deputados pudessem se inteirar melhor do caso e nos ajudasse. Mas a tentativa foi frustrada, pois a Diretora se negou a conversar com os deputados por estar "muito ocupada". Tendo visto essa atitude um deputado chegou a comentar: "nem nas cadeias onde visitei fui tratado dessa forma".
Isso ocorreu por volta das 10h já. Nesse momento, chegou o carro de som que nos acompanharia na passeata, decidimos fazer o uso dele ali mesmo, para pressionar a Direção a nos atender. Visto que nada seria feito, começamos a pedir aos alunos que descessem para o pátio e protestassem, pra que ela nos ouvisse. Pedimos também para que tentassem sair para que engrossasse o movimento nas ruas. Pouco depois que isso foi dito no carro de som houve a abertura dos portões e os alunos começaram a sair em grandes grupos. Alguns continuaram dentro da escola porque a diretora os trancou no prédio para que não descessem para o pátio e, assim, saíssem para protestar. Alguns alunos, sabendo que isto ocorria na escola, entraram e exigiram que os portões fossem abertos para que os alunos pudessem decidir sobre o que desejavam fazer. Depois de muita discussão conseguimos que os portões fossem abertos e os alunos liberados.
Com a abertura do portão, a Sra. Diretora me chamou para conversar na sala dela. Fui e chamei mais alguns colegas para que houvesse testemunhas em caso de repressão ou ameaça. Mas daquela vez não foi preciso, a Feitosa foi extremamente educada conosco (coisa que não via há tempos) e nos perguntou porquê potestávamos. Explicamos que desde o início do ano tentamos várias vezes dialogar com a direção sobre diversas decisões tomadas por parte dela e que ela nunca nos ouviu ou acatou nossa opinião, e que por isso a nossa luta não era mais para estabelecer um diálogo (já que este não funcionava), mas se tratava agora de pedir o afastamento dela da Direção da Escola.
Enquanto isso, nas ruas ficaram sabendo que a diretora havia nos chamado para a sala dela. Daí acharam que ela estava nos ameaçando ou coagindo e entraram na escola exigindo que fossemos "soltos". Mas eu saí e acalmei os ânimos, avisando que estávamos apenas conversando.
Propus à diretora que fosse feita uma reunião com uma comissão composta de pais, alunos professores, sindicato, deputados, enfim, todos os envolvidos no movimento, e o Sr. Samuel (dirigente de ensino), a Hágda
(supervisora) e ela. Ela aceitou e disse que o Samuel já estava a caminho. Saímos da sala dela e fomos contar o que havia sido decidido para todo o movimento. Voltamos para a rua e continuamos o ato, dessa vez procurando formar as comissões para a reunião.
Formadas as comissões entramos na escola e fomos para a reunião. Vale lembrar que quem controlava a entrada da escola já não eram os funcionários, mas sim a polícia! Polícia essaque proibiu a entrada de um reportér de jornal local, e que nos separava em "pares", como na Arca de Noé, e nos organizava em fila, como num quartel, para que "não houvesse bagunça".

Assim fomos para a sala 15 para iniciar a reunião... (continua...)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Deu na imprensa...

Bem pessoal, resolvi utilizar esse espaço para compilar tudo o que saiu na imprensa até agora sobre a manifestação que realizamos no dia 13/11, sexta-feira.
O primeiro local que publicou foi o Portal Terra (13/11):

Noticias Terra - estudantes protestam e criticam diretora em SP

Logo após, saiu no jornal Agora (14/11), que vou tentar escanear para publicar aqui.

Depois, saiu no PassaPalavra (17/11):

Protestos na Escola Estadual José Vieira de Morais

E novamente no PassaPalavra (18/11):

Escola Estadual Vieira de Moraes: Alunos e professores se unem contra arbitrariedade de diretora

Por enquanto é isso, quando souber de mais coisas publicarei aqui.
E por favor, se alguém encontrar mais alguma reportagem, me avise!

Muito Obrigado!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sobre o boicote

Bem pessoal, o boicote foi vitorioso na nossa escola: quase metade dos alunos não foram e os que foram, grande parte entregaram a prova em branco. Graças à movimentação que fizemos no horário da entrada, com distribuição de panfletos e palavras de ordem contra o Saresp, a Sra. Diretora voltou atrás na idéia de tirar 1,4 ponto do provão e transferir ao Saresp, ou seja, quem não fizesse o Saresp seria punido na sua média. Então agora ficou assim:
- O provão volta a valer 5,0 pontos.
- Quem fizer o Saresp terá um acréscimo de 1,0 ponto na média.

Logo, quem não fizer o Saresp não será prejudicado, e quem estiver precisando de nota será beneficiado. Portanto aqui vai o recado, amanhã faz a prova quem quiser, o boicote não é mais necessário à nossa luta nesse momento.
O nosso objetivo principal nós conseguimos - explicar aos alunos que as políticas de bônus do Saresp é prejudicial à educação - e o boicote era importante para que o Saresp seja como manda a determinação do Governo: OPCIONAL.
Alguns vão se perguntar, mas então porque tudo isso?
E respondo dizendo:
1° - aquele que nos apoiou no boicote mesmo precisando de nota vai ter mais confiança no movimento porque ele procurou sempre ajudar os alunos (se antes eram apenas 10,0 pontos para esse bimestre, agora são 11,0 , uma ajuda e tanto para quem precisa de ponto);
2° - aquele que não nos apoiou no boicote também sairá beneficiado e passará a dar um apoio importante ao movimento;
3° - no ato de boicote ao Saresp, em frente ao Metrô Tiradentes, conseguimos articular nossa luta com as de outras escolas, e recebemos o apoio das Etecs e do movimento estudantil.
4° - neste mesmo ato engajamos, junto ao movimento estudantil, na luta de construir um boicote geral, unindo todas as escolas do Estado, contra o Saresp para o ano que vem.

Por último explico agora o nosso posicionamento.
Vimos que, no âmbito de mudança do sistema educacional, o boicote isolado do Vieira e das Etecs era improdutivo. Mas vimos também que ele foi favorável à nossa luta no âmbito da nossa escola.
O Saresp é uma política anti-educacional, mas o seu boicote como forma de mudar o sistema só pode ser eficiente na medida em que todo o Estado participe.
Porém, o nosso "boicote parcial" foi importante para conseguir mais apoio para o movimento!
Por isso, gostaria de lembrar a todos: AMANHÃ FAZ QUEM QUISER!

Obrigado a todos os que boicotaram!
Sem vocês não seria possível conquistar essas vitórias!

domingo, 15 de novembro de 2009

Opinião e Debates: O Boicote ao Saresp é favorável á nossa luta?

SIM

Pessoal, esta semana tem Saresp e nós, alunos da E.E. Prof. José Vieira de Moares, estamos chamando todos vocês, tanto da nossa quanto de outras escolas, a BOICOTAR O SARESP!
Os motivos que nos levaram a tomar essa decisão (aprovada em Assembléia realizada no protesto que houve na frente da escola à noite) são os seguintes:

-O Saresp é uma prova aplicada "de fora" do processo educativo, portanto não leva em consideração a relação aluno-professor estabelecida na sala de aula, e nem as condições de aprendizado do aluno.

-A política de bonificação do Saresp é extremamente prejudicial à educação visto que as escolas com melhor desempenho (e portanto as que podem dar mais ÍNDICES PARA O GOVERNO) recebem o bônus, enquanto as com pior desempenho (geralmente as das regiões mais pobres do Estado) não recebem nada, ou seja, são abandonadas pelo Poder Público, que bonifica as escolas das regiões centrais principalmente, e punem as escolas da periferia.

-O único interessado no Saresp é o governo, que pretende mostrar com o Saresp "como a educação melhorou".

O boicote ao Saresp é importante para ampliar o leque de reivindicações e mostrar que não é só tirar a diretora, é transformar a educação como um todo e construir um novo modelo de escola, não mais opressora, não mais dominadora, mas uma escola que nos liberte e construa o novo homem e a nova sociedade!
Portanto pessoal, terça/quarta/quinta BOICOTE GERAL!
NINGUÉM FAZ O SARESP!
CHEGA DE NÚMEROS QUE NÃO DIZEM NADA!
REVOLUÇÃO EDUCACIONAL JÁ!

NÃO

Sou o professor Jair e gostaria de expressar minha opinião em relação ao boicote proposto ao SARESP. A minha posição e a de outros professores é ser contra o boicote e direi o porquê abaixo. Peço que antes de se revoltarem leiam as minhas justificativas e considerações:

a.) Muitos de nós professores (quase todos eu diria) é contra a política de bônus e outras políticas propostas. Questões como avaliações exteriores, apostilas do Governo e outras são polêmicas e o grupo de professores fica bastante dividido quanto a elas.
b.) Apesar disso precisamos nos lembrar do foco principal de toda essa mobilização, que é a defesa de gestão democrática de ensino, contra o autoritarismo e pelo diálogo, respeito e democracia como forma se resolver os problemas cotidianos da escola. Abraçar outras lutas nesse momento pode parecer importante para muitos, mas causa mais controvérsia e mais divisão.

c.) As justificativas que estão aparecendo contra esse movimento afirmam que um grupo de professores está manipulando os alunos para que eles se revoltem contra a direção, o que nós sabemos que é absurdo, pois é chamar os alunos de idiotas e os professores de super poderosos. Mas é uma forma de se dar uma resposta aos questionamentos à comunidade.

d.) Se ocorrer o boicote a nota do José Vieira vai cair as autoridades competentes vão querer saber o porquê da queda e do boicote, e o Secretário da Educação não vai ligar para a casa da professora fulana, ou do aluno ciclano ou de quem quer que seja para saber a razão disso. Vão cobrar o Dirigente, que cobrará a DIretora por uma resposta, e adivinha que resposta aparecerá? Que esse grupo de professores induziu os alunos a boicotarem o SARESP. Isso explicaria a queda para as autoridades e daria uma chance de ouro para que se responsabilize alguns professores e alguns alunos por incitarem os outros contra uma prova que não foi criada pela Diretora, e sim pelo governo. Ou seja, ao invés da luta pela democracia na escola estaremos comprando briga com o Governo do Estado. Muitos podem achar que é assim mesmo, que devemos ir para a luta e marcar nossa opinião, mas quem atira para todo lado tem mais chance de não acertar alvo nenhum.

e.) Respeito a opinião de quem optar pelo boicote, mas mesmo que uma minoria opte por ele, isso já seria usado como exemplo de que alguém, ou alunos ou professores, estão tentando manipular os demais.

f.) Essa história de manipular um ou outro é controversa. Estamos aqui, por exemplo, fazendo um debate, houve um ponto de vista e agora apresento outro. Respeitosamente cada um expõe o seu ponto de vista e pensa nos argumentos do outro para se posicionar contra ou a favor. E ao tomar posição, foi influenciado por essa ideia. Isso não é ruim, é a ordem natural das coisas, mas alguém pode dizer que isso é manipulação...

Enfim, SOU CONTRA O BOICOTE AO SARESP. Sei que muita gente vai ficar chateada comigo, mas peço que pensem nos argumentos apresentados.

Atenciosamente, e orgulhoso da participação de todos vocês nesse debate,


Jair.

Bem pessoal, vamos discutir isso, vamos pensar bem sobre isso pois é muito importante à luta por um ensino melhor. Portanto gostaria que vocês repassassem esse artigo para todas as pessoas da sua lista de contatos e comentem aqui no blog: o que você acha? Devemos boicotar ou não o Saresp?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Usam a lei contra nós? Usemos contra ela!

Continuando o artigo sobre as leis, vou passar agora para as leis que nós podemos usar contra ela.
Cabe portanto uma pergunta, ela pagou as impressões dos documentos com o próprio dinheiro?
Se assim não for ela deveria ler esse artigo da lei que ela se utiliza:

"Artigo 241 - São deveres do funcionário:
......
IX - zelar pela economia do material do Estado e pela conservação do que for confiado à sua guarda ou utilização;

Artigo 242 - Ao funcionário é proibido:
.....
VIII - empregar material do serviço público em serviço particular."

Quanto ao inciso IX do Art. 241, estão inclusos aí as paredes pichadas, que até o momento os pichadores não foram punidos e nem a pichação apagada...

Portanto ela que pague por tudo isso!

"Artigo 245 - O funcionário é responsável por todos os prejuízos que, nessa qualidade, causar à Fazenda Estadual, por dolo ou culpa, devidamente apurados"

Ela que pague as folhinhas entregues aos alunos hoje, não o contribuinte!
E que pague também, os chazinhos e as bolachinhas entregues aos pais no dia da Reunião do 2° bimestre!
O povo não é obrigado a sustentar chantagens dos funcionários públicos para serem vistos como bonzinhos.

Vamos derrotar ela na batalha das idéias! Pois essa é a mais difícil e a mais importante batalha!

E amanhã é dia de derrotar ela nas ruas!
Vamos todos ao protesto de amanhã!

FORA FEITOSA!

Mais uma vez a história das leis...

Mais uma vez a Senhora Diretora vem com essa história de leis para tentar nos intimidar na nossa justa manifestação.
Portanto, mais uma vez irei esclarecer sobre essas leis...
No documento entregue hoje pela Diretora endereçado aos pais e à comunidade ela usa de várias leis pois sabe que conhecimento das leis impressiona e intimida as pessoas.
Mas o desconhecimento (ou finge não conhecer?) das leis também causa reações em quem lê: o riso.

Já no final da carta, ela diz:
"É dever do funcionário público ser assiduo e pontual, cumprir as ordens superiores, conforme o artigo 241, incisos I e II, do Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado, Lei n° 10.261/68"

Pois vamos aos artigos no original.

"Artigo 241 - São deveres do funcionário:

I - ser assíduo e pontual;
II - cumprir as ordens superiores, representando quando forem manifestamente ilegais;"

Atenção para a parte em negrito, que a Sra. Diretora omitiu. Ela diz o principal. Diz que se o seu superior der ordens que não estejam em conformidade com a lei, você deve fazer uma representação sobre o caso. Isso já foi feito em diversas vezes na D.E., na Ouvidoria do Estado etc.

Depois ela prossegue:
"É proibido ao funcionário promover manifestações de apreço ou desapreço dentro da repartição, referir-se depreciativamente, em informação, parecer ou despacho, ou pela imprensa, ou qualquer meio de divulgação, as autoridades constituidas, conforme artigo 242, incisos I e VI, Lei 10.261/68"

Quanto a esta lei, já foi comentado neste mesmo blog sobre a sua alteração recente pelo Governador José Serra - Deputados derrubam Lei da Mordaça:

"Artigo 2º - Fica revogado o inciso I do artigo 242 da Lei nº 10.261, de 28 de outubro de 1968, Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado."

E a Diretora termina esplendorosamente: "É proibido ao funcionário praticar atos de sabotagem contra o serviço público, conforme artigo 243, inciso VII, Lei 10.261/68"

O inciso citado tinha redação assim:
"VII - incitar greves ou a elas aderir, ou praticar atos de sabotagem contra o serviço público;"

Mas quem faz um esforço pra ler a Constituição vê que:
"Art. 37
....
VII - O direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei especifica"

A lei específica a que a Constituição se refere é esta:

"Lei 7.783/89:
Art. 2 - Para os fins desta Lei, considera-se legítimo o exercício do direito de greve (...)
art. Art. 6 - São assegurados aos grevistas dentre outros direitos:
I - o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve"

Portanto , só com essa Lei, dois argumentos dela vão por água a baixo, quando ela disse que é proibido sabotar o serviço público e quando ela diz que os professores estão incitanto outros professores a se manifestarem. Ora, qual o problema disso? Eles só estão exercendo os seus direitos!
Aliás, vale lembrar, essa Lei que ela usou pra fazer essas argumentações é de um período onde as liberdades eram cerceadas: a Ditadura Militar. Bem a cara dela não é?

Bem, não preciso nem comentar as outras mentiras contidas no documento, tais como a de que os professores não estão ministrando as aulas há tempos.

Só mais uma observação:
Ela diz que a verba para as pichações virá no final do ano. A das cartinhas inúteis já foi liberada Senhora Diretora? Interessante, para quem alegava que faltava tinta para imprimir o provão, 3 mil cópias é muito não?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

É preciso resistir!

Bem, estamos quase no final do ano já, então creio que já passou da hora de fazermos um balanço sobre o que representou os protestos do dia 10 de março. Precisamos compreender por quê perdemos a batalha e em que condições essa derrota se deu.
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O primeiro ponto que eu quero levantar é: o 10 de março deste ano foi uma data histórica da nossa escola e, mais importante, única. Histórica porque foi o dia em que os alunos manifestaram sua insatisfação frente a uma direção autoritária e desumana. Única porque deu aos alunos o sentimento de que eles podiam mudar a escola, que o destino da escola estava nas nossas mãos, seja para o bem ou para o mal (embora infelizmente o segundo esteja prevalecendo). Cabe portanto perguntar: se estávamos insatisfeitos com a direção e já haviamos feito uma tentativa de mudar os rumos da escola, POR QUE FRACASSAMOS?
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Para respondermos isso precisamos compreender em que condições tudo isso se deu. E as condições eram extremamente desfavoráveis para nós por dois motivos:
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1°- Não havia naquele momento nenhum movimento organizado por parte dos alunos para dar um caminho aos protestos. Tudo foi feito de uma hora para a outra, e não tivemos tempo de planejar direito o que fazer, apesar dos esforços de muitos companheiros que perdiam dias e noites na tentativa de organizar os alunos. Resumidamente, NÃO HAVIA UMA VANGUARDA REVOLUCIONARIA QUE GUIASSE O PROCESSO, NEM MASSAS ORGANIZADAS PARA A LUTA.
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2°- Pelo fato de não termos uma liderança e organização nós também não tinhamos um "rumo" definido. Não tinhamos um PROGRAMA de mudanças. Tinhamos um amontoado de reivindicações, mas nada de caráter programático, que expressasse nossos desejos mais amplos.
Esses foram, na minha opinião o motivo de não termos alcançado o ponto que desejávamos
Mas precisamos contar também onde acertamos e no que saímos vitoriosos.
Creio que nosso principal acerto foi não ter cedido uma linha do que queríamos, e o principal, LUTAR PELO QUE QUERÍAMOS.
E por isso tivemos algumas vitórias, poucas mas decisivas.
A principal que eu gostaria de destacar foi o Conselho, que tem, entre seus cinco membros efetivos¹, três das lideranças dos protestos, que somados totalizam mais de mil votos, ou seja, mais da metade da escola.
Isso é extremamente importante pois dá o "caldo subversivo" que faltava ao Conselho. E dentre todas as conquistas creio que a mais importante se deu na luta pela entrada na 2° aula para o noturno, da qual o Conselho foi quase unânime no seu apoio. Portanto, dizer que "não adiantou de nada" é desmerecer a luta de vários companheiros que arriscaram até suas matrículas² para mudar a escola.
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Depois de pensar onde erramos, onde acertamos, e entender o porquê de tudo isso, temos que saber o que fazer de agora em diante. Desistir acho que não é a melhor alternativa depois de tanta luta, ou então tudo estará jogado no lixo e aceitaremos passivamente a barbárie. Ou então começaremos do começo novamente, corrigindo todos os nossos erros anteriores para que não aconteçam novamente, e seguiremos rumo à vitória para mudar o nosso esquecido e abandonado José Vieira de Moraes!
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Hasta la victória siempre!³ Che Guevara
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¹ Cinco membros efetivos que representam os alunos, não contando é claro professores, funcionários e pais.
² Leia sobre esse fato aqui no blog: 28/05/09 - "O Dia"
³ "Até a vitória, sempre!"

sábado, 24 de outubro de 2009

Meu sonho pra todos nós, irmãos!

Era isso que eu queria pra nós, aqueles momentos de nostalgia que nos fazem sofrer, enquanto escapamos dessa realidade monótona em que vivemos, para depois de toda reflexão penosa sobre nossos seres, unidos, acreditarmos numa realidade melhor!

Era isso, e sempre foi! Esse escapismo maldito de sofrimento que nós buscamos nos nossos tempos de loucura, procurando aqueles tempos em que a inocência fazia tudo valer a pena e a maturidade ainda era totalmente nada pra nós, para depois, unidos, gritarmos: “SIM, EU VIVI MUITA COISA PRA DESISTIR AGORA, PORRA!”.

Era isso, e sempre será! Aqueles momentos de união memorial que nos faz escapar da vida pública, do cotidiano maldito que nos esfrega humilhantemente na cara da humanidade, fazendo-nos viver a realidade de merda planejada pra todos nós...

É isso que eu quero até o eterno! A quebra dessa realidade, o abandono, o foda-se de um simples momento de vida nos nossos sonhos, nas realidades que nós sempre quisemos uma para o outro, naquela realidade em que nós poderíamos viver o “sempre que quiséssemos” até o infinito de todas as eras!

É isso que eu desejo! A quebra desse ceticismo monstruoso que nos afasta da espontaneidade de toda nossa alma, esse ceticismo monstruoso que desacelera nossos batimentos cardíacos, que não nos deixa viver a poesia que sempre desejamos recitar aos milhões de ventos para que chegassem ao ouvido de todas as pessoas!

É o que eu quero, junto de vocês, edificar! O sonho realizado, todos os mitos das aventuras de nossas vidas homenageado por nós mesmos, exclamemos com orgulho nossos feitos simples, complexos, espontâneos! Aqueles sem pensar nem uma vez antes de fazer, aquele simples momento que fez tudo valer o que nunca valia nada!

É isso que eu sempre sonhei! Nossa união fazendo força, quebrando todos esses dogmas que nos foram impostos e gritar: VAI PRA CASA DO CARALHO, PORRA! Pra todas essas mentiras que nos fazem viver fora das vidas que sempre quisemos viver em união!

Poemas de Marcelo Macêdo Alves

Nasceu em 1988, em Brasília. Viveu lá até os 4 anos, quando se mudou com a família para Fortaleza e lá ficou por 3 anos. Retornou para Brasília onde concluiu os estudos na rede pública de ensino, formando-se aos 16 anos.
Aos 19, entra na Universidade de Brasília onde cursa Desenho Industrial.
Começou na poesia com a vontade de escrever músicas (aliás, é um puta dum batera). Durante o processo de criação, buscou desenvolver o vocabulário ao mesmo tempo em que procurava expressar o que tinha preso na garganta.

Influências: Mário Quintana e Augusto dos Anjos.

"Embora esses dois poetas não tenham nada a ver um com o outro, quando escrevo, deixo as influências fluírem naturalmente." - Explica.

"Poesia pra mim começa no sentimento. Normalmente, isso se traduz na primeira e na última frase" - Conclui o poeta

"Retrocesso"

Estou cansado
Do discurso partidário
Mas o mundo me chama
Para compor seu cenário

Eu faço história
Com meus versos e atos
Mesmo que ainda me falte
O complemento do hiato

Observo a escória
E a distorção atômica me invade
Lhe falta glória
Na crítica da humanidade

E vou seguindo
Com pressa sem pensar
No escuro caindo
Das loucuras de socializar

Meus sentidos eu treino
Meus olhos perfuro
Nos meus ouvidos eu reino
No mais, apenas o que me resta
Um sentimento obscuro


"Poesia Concreta"

Liberdade,
Ideologia fundada no primórdio,
Beirando à loucura,
Estrada sem fim.
Resquício do desejo fundamental da vida,
Dado inexato, inalcançálvel.
Alcova dos homens,
Direito da morte.
Essência.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Capitalismo em números...

-A renda dos 500 indivíduos mais ricos do mundo é superior à renda dos 416 milhões mais pobres.
-Em 1990, um norte-americano ganhava em média 38 vezes mais que um tanzano (hab. da Tanzânia, país africano com um dos piores índices de desenvolvimento humano), hoje ganha 61 vezes mais.
- A renda percapita da África corresponde a 5% da renda percapita norte-americana.
- Nos países ricos, de cada 1000 pessoas, 553 possuem telefone e 332 têm internet. Na África, esse número se reduz para 15 pessoas que possuem telefone e 8 que têm internet, a cada mil. E na América Latina, de cada mil pessoas só 49 têm internet.
- Em 1960, a riqueza produzida pelos países ricos era 54 vezes maior que a produzida pelos paises pobres. Atualmente os ricos têm o PIB 121 vezes maior do que o PIB dos paises pobres.
- 55% da humanidade vive com menos de US$ 2 (dois dólares) por dia. Ou seja, aproximadamente R$ 4 por dia, ou R$ 120 por mês.
- 1 bilhão de pessoas passam fome.
- 5 milhões de crianças morrem de fome todos os anos
- A cada 3,6 segundos morre uma pessoa por consequência da fome, o que dá um total de 25.000 mortos por dia e 9.125.000 por ano (isso é mais do que o número de judeus mortos no holocausto, 6.000.000)
- 6.000 morrem por falta de água todos os dias, um a cada 15 segundos.
- A Unesco registra mais de 860 milhões de analfabetos.
- A OIT (Organização Internacional do Trabalho) diz que há 874 milhões de trabalhadores com contratos precários e salários miseráveis. Sendo 27 milhões destes sob regime de escravidão.
- 200 milhões de crianças são expostas ao trabalho. Destas, 90% (180 milhões) estão em atividades como a prostituição, tráfico de armas, tráfico de drogas e conflitos armados.

Resumidamente, isso é o capitalismo. Gostou?


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Deputados derrubam “Lei da Mordaça”

Em fevereiro, o governador José Serra havia vetado projeto idêntico de autoria de Roberto Felício. Lei era um dos entulhos da ditadura.

Os deputados aprovaram na noite de terça-feira, 8, o Projeto de Lei Complementar 1/2009, de autoria do governador, extinguindo a chamada “Lei da Mordaça”, instituída em 1968, durante a ditadura militar, que impedia servidores estaduais (professores, médicos, policiais, advogados etc) de dar entrevistas ou criticar autoridades ou seus atos. O PLC revoga o inciso I do artigo 242 da Lei 10261, de 1968 (Estatuto do Servidor Público do Estado de São Paulo).

A Assembleia Legislativa já havia aprovado, no ano passado, um PLC do mesmo teor, de autoria do deputado Roberto Felício (PT). Também tramitava, na época, projeto com mesmo teor de autoria do deputado Carlos Gianazzi (PSOL). Por serem professores, ambos parlamentares juntaram esforços para derrubar a Lei da Mordaça, através de acordo que levou à aprovação do projeto de Roberto Felício. Em fevereiro deste ano, o PLC recebeu o veto do governador José Serra. Em seguida, o governador encaminhou ao Legislativo projeto de sua autoria.

Para o deputado, a aprovação do PLC 1/2009 deve ser “comemorada por todos, pois restitui aos servidores públicos do Estado de São Paulo um dos direitos fundamentais da cidadania: a liberdade de expressão”. Roberto lembrou que o dispositivo presente na Lei 10261 era utilizado costumeiramente para intimidar o servidor público estadual. “Este estatuto, já ancião, foi produzido quando no Brasil estava em vigor o regime de exceção, inaugurado com o Golpe Militar de 1964.”

Fonte: APEOESP


Baixe aqui a íntegra do projeto - Projeto de Lei Complementar 1/2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Por um debate acerca da questão dos uniformes - Tréplica - Prof. Jair

Peço desculpas pela demora para postar a tréplica do Prof. Jair, fiquei um tempo sem internet e não pude postar antes. Mas como parte do debate e do exercício da democracia, aqui temos a tréplica do Prof. Jair. Obrigado pela compreensão!

Olá Emerson, obrigado pelo comentário, e a recíproca é verdadeira.

Por diversas vezes nesses anos questionou-se o Vieira pela exigência do uniforme, inclusive recorrendo-se à Diretoria de Ensino fazendo-se alusão à lei, e sempre aceitou-se o argumento do Vieira de exigência, pois uma coisa é proibir o aluno de frequentar a escola por conta de uniforme, isso é proibido por lei, outra coisa é cobrá-lo e dar alternativas para que o aluno use o uniforme, como ofertá-lo a alunos carentes ou emprestar a quem está sem. Volto a afirmar que a sindicância que investigou o uniforme a pedido da Secretaria da Educação inocentou a senhora diretora por não ver nada de ilegal, a não ser a venda ser realizada dentro da escola. É por isso que existem os juízes, que interpretarão as leis conforme as situações. E é por isso que devemos tomar cuidado com as interpretações da lei ao pé da letra. Conforme afirmei, já pensou se cada jogador de futebol quiser jogar com um tipo de camisa diferente alegando que a Constituição garante que ninguém deve ser discriminado pela roupa que usa? Percebam que aí deve prevalecer o bom senso, e devemos tomar cuidado quando descobrimos que temos direitos para que a gente não veja direito em tudo, como citei anteriormente - o meu direito de usar a roupa que quero (pudor depende do ponto de vista, certo?), meu direito de bater em quem manda em mim (direito a resistência à opressão), meu direito de usar camisa de time, de facção criminosa, de qualquer outra coisa (direito à liberdade de expressão). Obviamente a camisa com suástica foi um exemplo, existe lei municipal, da época da Erundina, que proibe. Mas acredito que noutras cidades não hajam leis contra a suástica, se não me engano.

Volto à questão do cuidado com o discurso dos direitos, direitos, direitos. Se formos levar ao pé da letra, a USP também é pública, então todos deveriam poder frequentá-la, sem essa coisa discriminatória que é o vestibular... Se o fato de ser público significa que não se pode exigir nada, então vira bagunça: "não use essa roupa assim" - "uso porque essa escola é pública e você está me discriminando" / "não deite no meio do pátio" - "deito porque a escola é pública e não tem nenhuma lei que me impeça de deitar no chão" / "não jogue futebol agora" - "jogo porque a escola é pública, tenho direito ao esporte e a única exigência que vocês podem fazer é que eu tenha o ensino fundamental completo". Tem um hospital público do lado da minha casa que não tem tomografia, e eu sei que no de Pedreira tem, mas eu me recuso a ir para o outro hospital porque eu exijo que o do lado da minha casa tenha tomografia porque ele é público... (esse exemplo não tem nada a ver com lutar por hospitais equipados, que é uma obrigação nossa). Se não devo exigir nada do meu aluno do ensino médio por que devo reprová-lo ao final do ano? E o direito dele seguir em frente, afinal a escola é pública... Uma coisa é a gente estar na oposição, brigando e vociferando pelos direitos. A outra coisa é você estar ali, tomando decisões (numa aula, numa escola, num país), e vê que a coisa não é tão simples assim. O Lula que o diga (aliás, já disse).

Quanto a conscientização dos alunos pelo uso do uniforme vir só quando os alunos debaterem o assunto, eu diria: "menos, menos...". Aquele que é contra o uso do uniforme vai se tornar consciente e passar a usá-lo só porque houve um debate? Você acredita nisso? E o sujeito que diz "não, não quero". Você acredita que o Fernandinho Beira-Mar um dia vai se conscientizar de que deve ser um cara de bem se todos nós formos lá debater com ele? A vida dele o fez assim. Realmente é possível que TODOS se conscientizem de algo? Vocês devem conhecer algumas pessoas, em casa, na escola, no trabalho, que você fala, fala, mostra argumentos, mostra fatos, e a pessoa continua fechada em seu ponto de vista, achando-se dona da verdade. Conscientiza-se quem está preparado para se conscientizar, quem quer se conscientizar. Que poder mágico teria o debate para despertar TODOS para a consciência? O debate é fundamental, e ele conscientiza alguns que já se mostram abertos para tanto. E o que eu faço com os outros que se recusam? No leste europeu botavam no paredão, onde já se viu irem contra a consciência de classe revolucionária? Se a maioria se conscientiza da importância do uniforme, o que eu faço com a minoria? Deixo-a seguir sem uniforme? Obrigo-a? DOU A ELA A LIBERDADE DE BUSCAR OUTRA ESCOLA MAIS LIBERAL OU ADAPTO A VONTADE DA MAIORIA AO DESEJO DE UMA MINORIA? Detalhe: se fizermos uma pesquisa com pais e alunos creio que a grande maioria é favorável ao uniforme, mesmo sem o debate proposto, e olha só o rolo que está dando. Se apenas se investisse na conscientização das pessoas para que não cometessem crimes não haveria a necessidade de polícia, certo? Então existe crime por que falta consciência nas pessoas? Vamos acabar com a polícia e investir na conscientização para vermos o que acontece. Volto a afirmar, uma coisa é o discurso florido dos direitos, outra coisa é a vida real, quando se tem que tomar certas atitudes. É fundamental lutar pelos direitos, mas com uma visão bem nítida do que é o ser humano, do que é a sociedade.

E quanto ao Conselho de Escola, ele é um órgão representativo, como temos uma democracia representativa, e não direta, pelo simples fato de que não dá para reunir todos os alunos, pais, funcionários e professores para debater e decidir cada uma das coisas. Houve eleições, e os alunos se candidataram livremente para representar seus pares, portanto não concordo com o discurso de minimizar a importância do Conselho.

Quando usei o termo velho sabia que deveria ter trocado a palavra, não o fiz porque tinha pouco espaço na mensagem e eu fiquei com preguiça de escrever de novo. Mas ocorreu justamente o que eu previa, a identificação da palavra velho com algo que deve morrer, o que é muito triste. Meu velho Vieira tinha muitos defeitos, muitos problemas, mas não tinha pichação nos corredores, bombas constantes, fogo nos jornais que eu coloco no quadro, era disputado até por filhos de supervisores, era a nona melhor escola pública da capital (ENEM 2007), uma das que mais colocava alunos na USP (2007). O velho Vieira realmente está morrendo, e nada garante que o novo será melhor. Pode até ser melhor, mas nada garante. E dizer que a comunidade escolar como um todo vai decidir sobre os rumos do Vieira daqui em diante é o que eu sonho que aconteça mesmo. Sonho...

Emerson, todos os anos o Conselho debate sobre os prós e contras do uniforme, não foram os acontecimentos desse ano que fizeram isso ocorrer. Acontece que sempre vencem os argumentos pró-uniforme, mesmo considerando os pontos negativos dele, como você citou. Agora, se eu vou abrir exceção para a roupa social, por que deveria discriminar outros tipos de roupa? Ou abre para todo mundo ou não abre para ninguém. Direitos iguais, certo? Restringir o uso de determinados tipos de roupa, como você sugere, acaba caindo novamente na discussão do direito de usar o que lhe convém, que acaba caindo na questão do uniforme.

Que ótimo que podemos debater esses assuntos, e tomara que debatamos sempre de forma civilizada e com argumentos. Como tem sido feito até agora.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Por um debate acerca da questão dos uniformes - Réplica ao Prof. Jair

Com todo o respeito que tenho pelo Prof. Jair, rebaterei alguns argumentos apresentados.

Segundo a Lei Nº 3.913, de 14 de novembro de 1983
Artigo 1º – Aos estabelecimentos oficiais de ensino do Estado fica proibido:
(...)
V – instituir o uso obrigatório de uniforme"
Portanto obrigar o aluno a usar o uniforme é ilegal até que uma lei maior anule esse parágrafo da lei.

"os alunos que se matriculavam nesta escola sabiam disso, poderiam optar por outra escola mais 'liberal' "
Devemos nos lembrar que o Vieira é uma escola PÚBLICA e, portanto a única exigência que se pode fazer para que o aluno curse o ensino médio é a de que ele tenha concluído o fundamental. Fora isso mais nada.

"não se deve também, nessa ótica, proibir aquela blusa decotada até o umbigo, não é mesmo? E a liberdade da menina de mostrar o seu corpo se ela assim o desejar? De usar aquela calça colada que mostra até a alma? Ou de um aluno desfilar com uma suástica nazista no peito?"
Quanto a isso não é preciso se preocupar, existem leis que proibem qualquer tipo de propaganda nazista e a lei de atentado ao pudor.

Quanto aos outros argumentos, acho extremamente válido que se tenha uma preocupação com o "elitismo" que seria criado na escola, com um se achando melhor do que o outro porque tem uma roupa melhor etc.
Eu não acredito que agora os alunos são "livres", mas acredito que esse momento permitiu que nós discutissemos sobre questões de interesse geral para a escola. Eu não acredito nessa "conscientização" que foi proposta pela direção, eu acho que os alunos só vão adquirir consciência sobre o uso do uniforme quando eles começarem a participar do debate. Enquanto essa discussão ficar somente entre o Conselho e a Direção os alunos nunca vão se conscientizar.
Esse nosso debate só foi possível porque a questão está em aberto, nada foi decidido ainda, sei que essa não obrigatoriedade do uniforme é apenas transitória, mas ela abriu um espaço para que a comunidade escolar como um todo decida sobre os rumos do Vieira daqui em diante.
O Prof. disse muito bem: "Creio que o fim do uniforme é mais um sintoma de que o velho Vieira está morrendo." O velho Vieira está realmente morrendo, cabe portanto construir o novo.

Só com um debate fundamentado por ambas as partes será possível em pensar alternativas para esse impasse. Mas para isso é preciso estarmos abertos a novas idéias, não adianta tentar voltar atrás, a roda da História anda para frente e esmaga todos aqueles que não a acompanham. Portanto, eu não acho que o fim do uniforme seria a "solução para todos os problemas", pelo contrário, signica o surgimento de novos problemas. Mas também deve-se admitir os defeitos do uso obrigatório do uniforme e refletir sobre uma posição mais acertada sobre a questão. Que mal há, por exemplo, no aluno que vai de social para a escola porque tem seminário no curso, que trabalha entre outros motivos?
Creio que o debate deva girar em torno de restringir o uso de determinadas roupas, tais como, uniformes de times, decotes, calças mais justas etc. Mas primeiro é preciso fazer o que estamos fazendo aqui: um debate honesto sobre essa questão!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Por um debate acerca dos uniformes (visão 2) - Prof. Jair

Bem, como parte do debate que deve ser feito sobre essa questão eu postarei um texto do Prof. Jair que ele publicou no Orkut.
Assim teremos duas visões sobre o tema e poderemos fazer uma discussão mais construtiva acerca do tema!
Obrigado!


Alguns esclarecimentos:

O Conselho de Escola não decidiu pelo fim do uniforme, não sei quem inventou isso!

O que houve?

Nossa diretora foi afastada por conta de uma denúncia em jornal de que o Vieira e o Salotti exigiam o uso do uniforme para a entrada dos alunos. Uma sindicância foi instaurada pela Diretoria de Ensino e a única ilegalidade encontrada foi o fato de se vender o uniforme dentro da escola, pois o vendedor não pagaria certos impostos devidos. Tanto é que a senhora diretora voltou ao cargo nesta segunda-feira. Portanto essa história de que o uniforme é inconstitucional não é correta. Escolas, hospitais, quartéis e empresas exigem uniforme. A Constituição não serve para eles?
Por anos o José Vieira cobrou uniforme dos alunos, e os alunos que se matriculavam nesta escola sabiam disso, poderiam optar por outra escola mais "liberal". Sempre a APM da escola bancou o uniforme para quem não tinha condições, e sempre pediu aos alunos de terceiro ano que doassem seus uniformes quando saissem da escola para que eles fossem repassados. Por anos essa prática era citada como exemplo por outras escolas, por pais e por alunos.
Como houve essa denúncia, a Supervisora orientou a Direção a não exigir com rigor o uso do uniforme. Não foi o Conselho de Escola quem tomou essa decisão, pois todos os membros do Conselho são favoráveis a ele (se havia alguém contra ele não se manifestou).
O regimento interno está perfeitamente de acordo com a legislação, pois garante opções para alunos que demonstrem não ter condições de arcar com o preço. Caso contrário a sindicância não teria decidido pela volta da senhora Diretora.

Na minha opinião essa decisão é infeliz. Qual vantagem existe nessa "flexibilidade"? Toda flexibilidade, seguindo esse raciocínio, parece boa, mas não é. E quem disse que deixar de usar o uniforme contribui para "transformar radicalmente as estruturas de poder vigentes no Vieira"? O que cada um tem feito de efetivo para "transformar as estruturas de poder vigentes no Vieira" além de só reclamar e xingar a direção como muitos o fazem via orkut?

Por que apóio o uniforme?

Eu estudei o meu ensino médio no Vieira, e sei como é terrível ir para a escola com uma roupa velha e fora de moda enquanto outros vão com roupas de marcas, consequentemente sendo os mais populares.
No ano passado, durante a excursão para Santos, de longe (longe mesmo) nós víamos grupos de alunos do Vieira se deslocando pelas ruas e tínhamos como saber se estavam ou não perdidos.
Há alguns anos uma aluna do Vieira foi atropelada e faleceu no Rio Bonito, e só a identificaram porque ela usava o "odiado" uniforme.
O alunado uniformizado dá um aspecto de ordem que contribui para o melhor desempenho da escola. E sem essa de que a palavra "ordem" é negativa, porque não é não. Quem disse que a ordem é inimiga da liberdade?
O uniforme dificulta que pessoas estranhas entrem na escola junto aos demais alunos. Se está sem uniforme de longe seria identificado. Com alunos sem o uniforme esse indivíduo passa perfeitamente por um aluno comum.
O adolescente precisa de um poder contrário para que ele desenvolva sua rebeldia. Essa coisa de facilitar tudo, de liberar tudo, de "flexibilizar" tudo causa mais mal do que bem para o adolescente, gera o tal do "rebelde sem causa" ("como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar, pra eu amadurecer sem ter com o que me rebelar...", como dizia o Ultraje a Rigor). É só ver como agem os filhinhos mimadinhos da mamãe que nunca recebem um não como resposta, nunca passam por dificuldades, nunca são obrigados a nada.

Creio que o fim do uniforme é mais um sintoma de que o velho Vieira está morrendo.

Aos que pensam ser inconstitucional cobrar o uso do uniforme ou qualquer outro tipo de vestimenta, convenhamos, não se deve também, nessa ótica, proibir aquela blusa decotada até o umbigo, não é mesmo? E a liberdade da menina de mostrar o seu corpo se ela assim o desejar? De usar aquela calça colada que mostra até a alma? Ou de um aluno desfilar com uma suástica nazista no peito? Percebem como esse raciocínio é perigoso? Há anos ocorriam confrontos entre os alunos do Iporanga e da Dezenove, e nada impede que eles possam ocorrer daqui a algum tempo. Pensaram num aluno desfilando com um blusão escrito "DZ9" no meio do pátio por entre alunos do Iporanga? E o corinthiano ou palmeirense desfilando com seu uniforme quando seu time venceu algum adversário de forma humilhante, não poderia gerar uma briga de grandes proporções? Muitos alunos devem achar legal isso ocorrer, mas cabe à escola, seja ao Conselho ou à Direção, zelar para que esse tipo de coisa não ocorra.
Por fim, quem nunca gostou do uniforme sempre teve a opção de ir para o Beatriz... Com todo o respeito, comparem as duas escolas. No passado, claro...
O aluno se sente cerceado em sua liberdade por ser obrigado a usar o uniforme? Dar a ele a liberdade de não usar é a mesma coisa que dar a ele a liberdade de fazer o que quer, pois se um tem o direito de questionar o uso do uniforme, o outro tem o direito de questionar o porquê da proibição do celular em sala de aula, do mp3 durante a aula, do fumar na escola, do uso da maconha durante o intervalo (não é o que diz a música "legalize-já"?). Por que um direito teria prevalência sobre o outro?
Ser questionador, ser consciente, defender seus direitos não significa ser contra tudo e contra todos. É preciso pensar nas consequencias dos atos, é preciso ter uma visão mais ampla, menos maniqueista das coisas.
Para um vieirense de muitos anos, como aluno e como professor, é muito triste tudo isso que está acontecendo com a minha escola. Minha, pois parte da minha história está ali, como de vários outros.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Por um debate acerca da questão dos uniformes

Esta semana nossa escola foi agitada pela decisão do Conselho da não obrigatoriedade do uso do uniforme. Também pelos boatos de que a carteirinha seguirá pelo mesmo caminho. São dois temas de extrema importância e que merecem atenção ao serem discutidas, pois o posicionamento ante esses fatos pode determinar e até comprometer o projeto de escola pelo qual estamos lutando desde o começo do ano.
Primeiro pesa a questão da legalidade dessas ações.
"O uso de uniforme escolar é obrigatório?

Não. A Lei n.º 3913/83 de 14/11/83 proíbe os estabelecimentos oficiais de ensino de obrigar os alunos ao uso do uniforme escolar.

O aluno pode ser impedido de entrar na escola por estar sem uniforme?

Não. As Normas Regimentais Básicas para as Escolas Estaduais, em seu capítulo IV - das Normas de Gestão e Convivência estabelece que a escola não pode fazer solicitações que impeçam a freqüência de alunos às atividades escolares ou venham a sujeitá-los à discriminação ou constrangimento de qualquer ordem."(1)


A segunda questão que se pode fazer é:
Pra que uniforme?
Um argumento que pode se levantar em favor do uniforme é a questão da segurança. Mas será que o uniforme protege de alguma coisa? Sim e Não.
Sim porque em caso de acidente ou algum imprevisto que ocorra com o aluno, ele poderá ser facilmente identificado e a escola contactada o mais rápido possivel.
Não porque muitas vezes escolas "rivais" identificam seus "inimigos" pelo uniforme.
Qual deve ser portanto o nosso posicionamento quanto ao uniforme?
Nós, alunos do José Vieira devemos nos posicionar contra a obrigatoriedade do uniforme por alguns simples motivos:
1) O preço do uniforme. O Vieira é uma escola pública localizada num bairro carente, logo, a necessidade de comprar o uniforme acaba pesando no orçamento de muitas famílias.
2) A transferência de verba da APM para a compra de uniformes destinados a alunos carentes, verba que poderia ser utilizada na melhoria do ambiente escolar e na compra de materiais didáticos para a escola.
3) Acabar com a utilização da escola como "combustível" da indústria têxtil.

Quanto à carteirinha podemos ainda acrescentar que a mesma não é documento oficial, portanto não pode ser exigido como condição de acesso à escola. Mas a direção não deve, por esse motivo, ser negligente quanto à entrada de estranhos no colégio, pois lá é um prédio público e é obrigatória a identificação para quem desejar entrar.

Devemos estar claros de que o fim da obrigação de usar o uniforme e a carteirinha não deve significar que podemos ir com roupas "sensuais" ou trazer amigos para a escola, ao contrário, temos que reforçar ainda mais o pudor e o respeito dentro da escola. O que foi desmantelado e deve ser destruído de vez são os mecanismos de repressão que a escola usava para punir os alunos. Abre-se, portanto, a porta do diálogo ao invés da da repressão. Nunca estivemos tão próximo do abismo, mas ao mesmo tempo nunca estivemos tão próximos do novo. O fim do uniforme não é bom nem mal em si mesmo, mas as consequências que dele virá os são. Podemos ter um clima de caos ou podemos aproveitar o momento em que os alunos adquirem mais autonomia sobre os rumos da escola para criar o "Novo Vieira". Só depende de nós mesmos decidir o que acontecerá daqui em diante.
Portanto, não podemos deixar a chance passar e nem cruzar os braços e esperar a barbárie chegar, precisamos arregaçar as mangas e construir o futuro da nossa escola para que ela seja um lugar mais agradável e mais humano de se viver!

(1)Informativo nº COE01505 - COEP